Hong Kong Fu

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domingo, 27 de junho de 2010

Best boy e os mistérios do cinema

Gaffer. Key grip. Best boy. Foley artist.


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Quantas vezes, ao contemplar os créditos de um filme, você já não se perguntou que diabo essas figuras fazem numa produção cinematográfica?
E quantas vezes você pediu ajuda a um cinéfilo e ficou na mesma, pois nem ele sabia qual a exata função de um gaffer ou um best boy? Nem os americanos sabem, exceto, evidentemente, os que trabalham na indústria de filmes.

''Grip” já foi dicionarizado. A versão brasileira do Webster o define como carpinteiro. Por analogia, “key grip” seria o carpinteiro-chefe. Não é. São chamados de grip aqueles sujeitos que carregam e põem em ordem os mais variados equipamentos num set de filmagem e nas locações. O grip desloca móveis, monta câmera, empurra carrinho, puxa fio, ajuda a grua a subir, jamais pega num serrote ou numa plaina.

''Gaffer”, que em sua acepção corriqueira significa capataz, é o chefe dos eletricistas. Trabalha com o diretor de fotografia, arrumando as luzes necessárias à iluminação de cada cena, comandando uma equipe de eletricistas e cuidando do estoque de material do seu setor. Seu principal assistente é o best boy, assim chamado mesmo quando uma pessoa do sexo feminino exerce a função.

''Foley artist” é um técnico que só entra em cena na fase de pós-produção. É o sonoplasta, ofício que, ao contrário das aparências, não está com seus dias contados, pela simples razão de que certos tipos de som e ruído não constam do acervo de nenhuma sonoteca, por maior e mais versátil que ela seja.

Onde arrumar um ruído compatível com a imagem de um bastão de beisebol esmagando a cabeça de um ser humano, por exemplo? Só mesmo pesquisando, sem causar danos à cabeça de ninguém. Depois de experimentar dezenas de artefatos e efeitos, o sonoplasta de ’Os intocáveis’, versão Brian De Palma, descobriu que o som mais próximo de uma bordoada igual à que Robert De Niro acerta no quengo de um de seus asseclas com um bastão de beisebol é o de um pino de boliche acertando um peru, morto é claro, mas (detalhe importante) ainda cru.

Dá pra acreditar? Como que ele conseguiu avaliar isso?

Eu, hein...