Hong Kong Fu

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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

BLOGOSFERA: A DECADÊNCIA DO NOVO ORKUT

 

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Acredito que a grande maioria dos blogs seja constituída apenas por gente comum tentando se expressar; Blogs, Twitter, Orkut: Ferramentas simples usadas como terapia por pessoas que tentam se comunicar, pessoas em diferentes estágios de aprendizado e compreensão da Internet e seus recursos.

Quem é novo no BLOGGER só deseja uma coisa bem simples: montar seu Blog.

Simples assim.

Afinal aí está algo realmente legal, digno de se almejar: ter seu próprio Blog! Poder compartilhar seus pensamentos com todos. Você vai poder se comunicar com seus amigos, seus familiares, seus colegas de trabalho, e até para aqueles que você não reencontra há muito tempo — e, por que não? até com pessoas que ainda não conhece;

Poderá dizer a eles que músicas gosta de ouvir, seus discos preferidos; Pode recomendar filmes legais para a turma assistir no cinema ou alugar em DVD; E, veja só, pode contar sobre a viagem que vocês fizeram no último feriado! As possibilidades são infinitas.

Aí de repente, não mais do que de repente...

Aparece o Pessoal que já usa tudo isso há mais tempo e indaga para nós, reles mortais:

Mas qual é o seu público alvo?

—COMO?

Qual o propósito do seu Blog?

—COMO É? ACABEI DE DIZER!

Mas você já leu na íntegra todos os capítulos das 12.597 Dicas para se montar um Blog de Sucesso? Já planejou todos os 517 Passos Simples para arrebanhar seguidores e se tornar popular com os outros Blogueiros? Como você espera ganhar dinheiro com isso?

— QUE? ADSENSE? GANHAR DINHEIRO? ARREBANHAR SEGUIDORES? NÃO QUERO NADA DISSO!

Então você é medíocre, não merece ter um Blog e as únicas pessoas que vão ler o que você escreve são sua mãe e sua namorada!

— — — X X X — — — X X X — — —

Essa coisa de Blog é muito parecida com o ORKUT. Teve sua fase divertida, onde era legal participar, onde se podia fazer muitas amizades, conhecer muita gente, se divertir e dar muita risada a troco de nada e, melhor, sem frescuras.

Depois foi perdendo a graça e ficando uma coisa “séria”, chata, insuportável. O RESULTADO: Hoje o nome ORKUT é praticamente um palavrão, tipo de coisa que só quem faz questão de participar são os mal-intencionados da vida.

Os novatos, que estão começando agora, como eu, ainda não se dão conta desse processo de Orkutização da Blogosfera. São meio como caipiras em visita a uma cidade grande.

Quem é de outra cidade e visita São Paulo fica maravilhado.

Acha tudo com ar de primeiro mundo: A Avenida Paulista, o MASP, os espaços amplos da Avenida 23 de Maio, compara o Parque do Ibirapuera com o Central Park, e por aí vai. Existem inclusive turistas incautos que ficam maravilhados de vir para São Paulo e ficar num hotel no centro da cidade! (Entorno da Av. São João e crackolândia para quem não sabe)

Da mesma forma ocorre com a Blogosfera. Infelizmente à medida que se conhece um pouco melhor seu funcionamento, se constata que tudo é muito decadente e tem aquele clima de fim‑de‑festa do Orkut. Salvam-se um ou outro Blog de qualidade.

A esmagadora maioria está tão preocupada com “fórmulas de sucesso”, “Dicas para atrair visitantes”, “Estratégias Para Ganhar Dinheiro”, “Como Atrair Propaganda Para Seu Blog”, etc, etc — Que nem se dá ao trabalho de dar atenção aos leitores.

Essa coisa de manter um Blog — exceto para nós ingênuos, teenagers, ou românticos da vida — se tornou um grande negócio, uma maquininha de dinheiro e de gente chata pra cacete!! Gente que mal disfarça que só está atrás de FLUXO de visitantes para os Links dos Anúncios que hospedam.

Chega a ser nauseante de tão óbvio. Há aqueles blogueiros que apelam para o sensacionalismo da hora, tipo “Vejam, Novas Fotos da Mulher Melancia”, ou “As Novas 786 Fotos do Novo iPhone”, ou ainda apelam para um tipo de polêmica rudimentar e destinada apenas a aumentar o número de comentários através de brigas e atrair a ira de fã-clubes infanto‑juvenis.

Há muita vaidade na blogosfera; Uma verdadeira guerra de egos e culto de neo‑ciber‑celebridades, à la Luciano Huck, Xuxa, Adriane Galisteu, dentre muitos.

Muito raramente os autores dos Blogs admitem a discórdia a sua opiniões como bem vinda. O que realmente chama a atenção é que raramente oferecem coisas boas e positivas sem visar pedir nada em troca.

Ah sim, isso é generalizar, já sei. Ocorre que generalizar é um ótimo caminho pra poder mostrar uma tendência. Claro que todo mundo entende que existem as exceções — mas generalizando você expõe os aspectos gerais. Vide o Orkut.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

You Have to Fight!

Só destruindo a si mesmo, se descobre a força superior do espírito.”

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Eis um daqueles filmes que você PRECISA assistir duas ou mais vezes. Não é um filme qualquer, mas um filme com uma profunda mensagem que, indubitavelmente, mudará seu olhar de forma drástica. Isso se você tiver predisposição para esse tipo de pensamento. Baseado em Livro de Chuck Palahniuk, dirigido por David Fincher, posiciona‑se contra os mantras de uma geração onde o discurso do bom mocismo começa a se desgastar, deixando brechas para ser visto como uma forma de controle social. Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter encarnam personagens brutos e tensos.

Jack, um jovem insone e sempre apreensivo conhece um furtivo vendedor de sabão e juntos canalizam o instinto básico da agressividade masculina em uma nova e surpreendente forma de terapia. O conceito faz sucesso como "clubes da luta" que vão sendo montados em cada cidade.

Jack (Edward Norton) é um executivo yuppie que trabalha como investigador de seguros de uma grande montadora de automóveis. Ele vive muito confortavelmente, mas está em stress progressivo devido a prolongadas crises de insônia. Passa a extravasar sua ansiedade em sessões de terapia grupal ao lado de gente com câncer, tuberculose e outras doenças, pois só no meio de moribundos é que Jack se sente vivo e assim consegue dormir. Sua alegria só é interrompida pela chegada de Marla Singer (Helena Bonham Carter), uma viciada em heroína com idéia fixa de suicídio.

Repentinamente entra na sua vida Tyler Durden (Brad Pitt), um cara ainda mais neurótico que Jack. Eles se conhecem em um vôo e mal se falam, mas quando o apartamento de Jack explode misteriosamente ele vai morar com Tyler, que vive em uma mansão caindo aos pedaços. Tyler lhe oferece uma perigosa terapia-alternativa: por à prova seu instinto animalesco em combates corporais. Assim nasce o “Clube da Luta” que ganha diversos adeptos que aliviam suas tensões arrebentando cada um a cara do outro.

Com o tempo, Tyler demonstra que seus planos vão além da criação do clube — uma mania que ganha adeptos no país inteiro Tyler sonha em concretizar o seu "Projeto Caos".

Tyler é uma espécie de Jim Morrison ou Kurt Cobain sem talento para música. Suas habilidades, no entanto, são outras. Sabe fazer sabão, bombas e dar uma chance de vingança aos frustrados que encontraram no Clube da Luta, uma oportunidade de retomar a vida. É através do sabão, feito a base de gordura humana jogada fora por clínicas de lipoaspiração, que Tyler consegue recursos para espalhar filiais do clube pelo país e financiar ações terroristas em busca de uma “revolução”.

Tyler propõe uma solução peculiar para os vícios de um povo regido pela lógica do consumo, castrado de vontades próprias. Enxerga a cura justamente naquilo que outros tenderiam a ver como sintomas de uma sociedade doentia. É nas mazelas e distúrbios sociais do povão, em sua mente pervertida e no seu ímpeto jovem, que Tyler promove a salvação. Para ele, a vidinha normal de trabalho e televisão é que deve ser combatida.

O pensamento que o filme propõe é algo um tanto caótico, quase anárquico, um pensamento que faz a palavra "Niilismo" surgir em minha mente. Cansados da vida repetitiva e vazia dessa era Pós-Moderna, dos labirintos de concreto, do mundo capitalista, um grupo de homens decide mudar tudo através da mais simples AUTODESTRUIÇÃO. Lutar por lutar. Não importa a integridade física, o que importa é se sentir vivo e ativo, INDIVIDUAL — coisas que a sociedade atual simplesmente eliminou. Tais sentimentos e vivências foram destruídos paulatinamente através dos "direitos humanos", "igualdade" e  do pensamento politicamente‑correto, aniquilando assim qualquer chance do arquétipo do Herói se manifestar no mundo; Não há espaço para heroísmo, honra e coragem nesse contexto cultural, social e psicológico — há lugar apenas para a fraqueza, mentira e usura.

O "Clube da Luta" desestabiliza o sistema e o contexto moral da sociedade, apenas por se participar dele,pela experiência vivida. Com essa filosofia, se desperta o Super-Homem, o Übermensch e aproxima-se do Espírito. Também há a questão da Liberdade; As coisas que você possui começam a te possuir lentamente, colocando você num processo que te prende por relações afetivas ou obrigações. Quando você se vê livre de tudo isso, abandona tudo, perde todas as esperanças, percebe a Liberdade.

Subitamente o Clube da Luta — como qualquer grupo que se opõe ao sistema vigente — evolui para algo realmente político: o PROJETO CAOS, passando a agir como uma verdadeira  "Organização Terrorista" —  começa a atacar as instituições financeiras e levar sua ideologia ao nível da práxis.

No filme Fight Club a liberdade econômica e o conforto seriam a prisão do homem contemporâneo. A saída não é pelo prazer, mas pela dor; Não é pela aceitação do outro nem através de “paz e amor” como na época dos hippies, mas através do endurecimento físico e psicológico e na conscientização da falência do sistema sócio-econômico contemporâneo ocidental, da alienação, e do desapontamento total com o sonhos de consumo.

Clube da Luta não é sobre ganhar ou perder: É uma luta interna contra nós mesmos — É uma luta pessoal, uma tentativa para conquistar a liberdade, alcançada com muita dor e sacrifício, rejeitando as posses materiais, para só então, apenas depois que nos desapegarmos de tudo é que estaremos livres e não teremos medo de mais nada, adquirindo a habilidade de prestar atenção àquilo que realmente importa na vida.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Era Uma Vez…

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Por volta dos meus 7 anos começou minha paixão pela leitura. Devorava as histórias em quadrinhos, que eram abundantes na época — quem não se lembra: Mickey, Zé Carioca, Luluzinha, Mônica/Cebolinha, Brasinha, Bolota, Mortadelo&Salaminho, Heróis da TV, Capitão América, Kripta, MAD, Pancada, dentre muitas. O pessoal mais “descolado” então as trocavam em bancas nas feiras-públicas nos fins de semana — haviam “barracas” que trocavam e vendiam as revistas usadas aos montes! A garotada não precisava de sebo (nem sabíamos o que era isso).

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Minha paixão pela leitura explodiu por ocasião do ginásio. Todos os meses tínhamos que ler e preparar resumos de livros, bem como, uma prova específica a cada dois meses sobre outro livro. Era outra época, os livros que tínhamos que ler eram bem diferentes dos que a molecada de hoje é obrigada a ler. Não havia Harry Potter. Mas em compensação cada bairro da cidade de São Paulo possuía uma filial das Edições de Ouro — o paraíso dos livros infanto-juvenis de então; eram todos em formato de livros de bolso e razoavelmente baratos.

Havia centenas de opções e coleções diferentes: Perry Rhodan, Monitor, A Inspetora, Goiabinha, Júlio Verne, clássicos da mitologia Greco-romana e universal adaptados para adolescentes: A Medusa, O Minotauro, O Castelo de Circe, Ulisses — escritos por Orígenes Lessa, Maria Clara Machado (Pluft), dentre muitos. Havia também a série “Para Gostar de Ler”, que era uma coleção com crônicas e pequenos contos dos melhores cronistas brasileiros: Mario Sabino, Dalton Trevisan, Rubem Braga, etc. Ah, e não me deixem esquecer a coleção Vagalume (uma delícia de ler!).

Livrinhos pequenos, de bolso, com histórias curtas, inesquecíveis, que marcaram toda uma geração. Quem não se lembra ou que nunca foi obrigado a ler os tais “livrinhos”: “O Gênio do Crime”, “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, “Memórias de Um Sargento de Milícias”, “Sherlock Holmes”.

E agora relembro (com muita dor no coração) o grande amor da minha juventude: os livros da editora Hemus! Isaac Asimov (Fundação/Eu Robô), Ray Bradbury (As Crônicas Marcianas), Paul Anderson, Arthur C. Clarke — Esses já eram bem mais carinhos que os livrinhos das Edições de Ouro e, mesmo hoje, tantos anos depois, só são encontrados em sebos e a preço de ouro, como raridades e peças de colecionador.

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O tempo foi passando, e meus gostos e necessidades de leitura foram se aprofundando. Nos primeiros anos da faculdade cheguei a assinar e ler diariamente dois jornais ao mesmo tempo — isso fora toda leitura semanal a que era obrigado a acompanhar: um calhamaço por semana, no mínimo. Lia de tudo, como sempre, mas numa velocidade e voracidade muito maior do que hoje. Eu costumava brincar comigo mesmo ao fazer a contabilidade de quantos livros eu conseguia ler todo ano. Houve anos que cheguei a ler mais de 50 romances (Não acredita?).

Eu trabalhava, estudava, morava sozinho e ainda tinha pilhas de relatórios e trabalhos semanais para entregar — detalhe, tinham que ser todos datilografados!! Eu simplesmente não sei onde arrumava tempo e energia para fazer tanta coisa, tanto trabalho mental. Hoje em dia me dou por satisfeito se consigo ler uns 20 e poucos livros por ano, bem lidos, bem analisados e compreendidos página por página — Qualidade e não Quantidade.

Escrevia muito desde aquela época. Mas eram textos técnicos, sem estilo, não tinha intimidade (muito menos tempo) em escrever relatos mais pessoais ou literários (eu também precisava dormir afinal de contas). Lembro até hoje: eu tinha amigos que vinham me dizer que não acreditavam o quanto eu lia e produzia os textos; diziam para eu dar um tempo, que não era o super-homem; e na hora das provas então! Só faltava me baterem; O Povo literalmente arrancava a caneta da minha mão antes do tempo da prova expirar; diziam que eu, por escrever em excesso, “elevava a margem de normalidade estatística” das provas, tornando mais difícil para o resto da turma tirar boas notas!! (Há, Há) — na época o pessoal ainda não se tocava que quantidade não era sinônimo de qualidade, mas, modéstia a parte eu arrasava sim — aliás, infelizmente eu, ao mesmo tempo em que era considerado caxias e CDF, paradoxalmente não tirava as notas mais altas em todas as matérias — eu era terrivelmente prolixo e pedante, acho que nem os professores suportavam corrigir as minhas provas!

Escrever bem exige muitas habilidades subjetivas. Você precisa ser muito atualizado, ter boa capacidade de observação, doses generosas de senso de humor, espirituosidade, senso crítico minimamente apurado, boa formação geral, objetividade, clareza, etc, bem como, não pode cultivar vícios e/ou defeitos que acabam com sua redação, tais como ser prolixo, rebuscado, não dominar regras ortográficas, etc — E, para piorar de vez, mesmo você sabendo escrever de forma minimamente correta, se quiser expressar sua opinião pessoal você ainda por cima tem que reunir muitas informações e pesquisar muito bem sobre aquilo que vai falar, para não correr o risco de falar bobagem.

Não, não é fácil.

Na sua escrita sempre vai faltar algum elemento dessa equação toda: estilo, atualização, clareza, relevância, elegância...

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